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Saúde - Justiça
Revolta e tristeza marcam enterro do menino Gabriel
por Celso Felizardo / Tribuna do Vale  |  04/10/2012 às 09h37m   |   1369 visualizações
 Celso Felizardo / Tribuna do Vale

 
Com o pequeno caixão branco de Gabriel nos braços, o pai, Fernando Arruda, entrou no Cemitério São João Batista, em Santo Antônio da Platina, por volta das 10h30 de ontem, aparentemente conformado que nunca mais veria o filho. Já a mãe do garoto, Elaine Bento Coelho, estava desolada. Aos berros, questionava o porquê da morte precoce do filho. Ela passou mal e precisou ser amparada por parentes.
 
A comoção foi tamanha que até mesmo funcionários do cemitério e da funerária, acostumados a lidar com a morte, não contiveram as lágrimas. Os cerca de 80 familiares e amigos de Gabriel Bento Arruda, que tinha apenas 1 ano e seis meses, acompanharam o enterro sem acreditar no que viam. “Ninguém aqui tem palavras para expressar a tristeza que estamos sentindo. É difícil aceitar a morte de uma criança que teria toda a vida pela frente”, disse o avô materno Valdir Passos da Silva.
 
A maior revolta da família é a precariedade da Saúde Pública na região. A falta de uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Infantil fez com que Gabriel perdesse horas preciosas na luta pela vida. Quando deu entrada no Pronto Socorro de Santo Antônio da Platina, há 20 dias, com quadro avançado de pneumonia, ele permaneceu em uma maca na enfermaria por seis horas aguardando uma vaga na Central de Leitos e a definição do transporte.
 
Nesse intervalo de tempo, uma crise convulsiva agravou o quadro do garoto, que era portador de necessidades especiais. Sem recursos, os médicos pouco puderam fazer para conter o inchaço no cérebro do garoto. Depois de promessa de avião e helicóptero que não se concretizaram, ele foi levado em uma ambulância improvisada até a UTI do Hospital Materno Infantil de Apucarana.
 
Do momento que deu entrada no PS em Santo Antônio até a internação na UTI, 10 horas se passaram. “Os médicos explicaram que essa demora toda causou o edema cerebral que resultou na morte do meu filho”, lamentou o pai. Gabriel morreu às 8 horas de anteontem.
 
Arruda reforçou os agradecimentos ao carinho e às orações que recebeu da comunidade. “Só tenho que agradecer o apoio da população que se sensibilizou com nosso drama. Sei que meu filho não volta mais, mas agora temos que cobrar das autoridades investimento na saúde para que esta história não se repita com outros ‘Gabriéis’ aqui na região”, incentivou. Alguns familiares cogitam organizar uma passeata na cidade para chamar a atenção para o problema.
por Celso Felizardo / Tribuna do Vale



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